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Notícias da Igreja Católica

5º Domingo da Quaresma – Ano A - Meditação Orante de João 11, 1-45

Data: 25/03/2020

Eu sou a ressurreição e a vida.

A famosa página joanina da ressurreição de Lázaro, que acontece em Betânia, depois da introdução, se articula em duas cenas. A primeira cena é o diálogo de Jesus com Marta. A conversa se encaminha para uma luminosa revelação («Eu sou a ressurreição e a vida») em que Jesus se apresenta no mesmo patamar de Deus (Êxodo 3: «Eu sou aquele que é»). O fiel, iluminado plenamente, responde com uma tríplice, solene profissão de fé: «Tu és o Messias, o Filho de Deus, aquele que deve vir ao mundo» (v. 27). Chega-se à segunda cena, decisiva, a da ressurreição. Jesus se encontra de pé diante da rocha escavada, coberta com a lápide sepulcral. A morte está consumada: o cadáver está já em seu «quarto dia» (v. 39), quando, do acordo com as crenças rabínicas, o corpo voltava definitivamente ao pó e o «sopro vital» era chamado por Deus que o tinha doado à criatura. Jesus, como perfeito orante, levanta os olhos ao céu numa oração de agradecimento ao Pai e de revelação para a humanidade. Ressoa, então, a palavra do Cristo: «Lázaro, vem para fora!». É a palavra que todo crente escuta saindo da fonte batismal e passando de uma antiga vida a uma nova existência. É a apalavra que todo crente ouvirá no fim de sua vida.

Este texto da ressurreição de Lázaro, que faz parte das últimas três etapas de preparação dos catecúmenos antecede as narrações da paixão e morte de Jesus. De fato, João, no final deste episódio (João 11,45-53) informa que o Sinédrio decidiu acabar com a vida de Jesus exatamente por causa deste espantoso milagre. O texto, ainda, é continuação do anterior (10,24-39), em que os judeus pedem a Jesus para falar abertamente quem ele é, mas Jesus lhes responde que eles já o sabem, mas não querem acreditar. Como a narração do cego de nascença, também a ressurreição de Lázaro é antecedida por uma controvérsia com os judeus e pela tentativa de lapidar Jesus (10, 31.39). A ressurreição de Lázaro é o último sinal realizado por Jesus e coroa as narrações das “obras” que testemunham em favor dele. Aliás, podemos dizer que seja o sinal por excelência: Jesus não é simples milagreiro, mas é para todos “a ressurreição e a vida”, graças à sua passagem através da morte.

Naquele tempo: 1Havia um doente, Lázaro, que era de Betânia, o povoado de Maria e de Marta, sua irmã.

A narração inicia com a simples apresentação das personagens. Lázaro é desconhecido pela tradição sinótica. O nome Lázaro significa “aquele ao qual Deus vem ajudar”. Ele é o único doente no evangelho de João que é lembrado pelo nome. É diferente dos outros doentes curados por Jesus, porque ele fazia parte do grupo dos seus discípulos. Marta e Maria são bem conhecidas, graças a Lucas. Betânia é uma pequena localidade a 3 km de Jerusalém, Aqui, Jesus esteve nos últimos dias de sua vida (Mc 11,1-11; Mt 21,17). Neste texto aparecem as palavras irmão e irmã. Isto sugere não só a consanguinidade entre os três amigos de Jesus, mas o fato que em Betânia já existisse uma comunidade de discípulos, que, na Igreja primitiva, eram por isso chamados irmãos e irmãs.

2Maria era aquela que ungira o Senhor com perfume e enxugara os pés dele com seus cabelos. O irmão dela, Lázaro, é que estava doente.

Maria é identificada por antecipação com a mulher que ungiu Jesus uns dias antes de sua morte (Jo 12,1-8). Este versículo não é uma explicação introduzida pelo redator, mas para lembrar, desde o início da narração, a morte do próprio Jesus. A unção, de fato, lembra a sepultura. Isto nos diz também que Maria era nem conhecida por parte dos leitores de João.

3As irmãs mandaram então dizer a Jesus: 'Senhor, aquele que amas está doente.'

A mensagem das irmãs é implícita. Como Maria em Caná sabem que não né necessário falar mais para que Jesus cuide do problema. A pelo delas, Lázaro não é chamado pelo nome, mas é definido a partir da frase “aquele que amas está doente” (on phileis). O fato se der amado por Cristo não preserva do sofrimento e da doença, nem a doença de Lázaro é consequência do desinteresse de Jesus.

4Ouvindo isto, Jesus disse: 'Esta doença não leva à morte; ela serve para a glória de Deus, para que o Filho de Deus seja glorificado por ela'.

As palavras de Jesus deixam os ouvintes intrigados. Ele não fala de Lázaro, mas fala de sua doença e de sua inevitável consequência, a morte. Mas, em lugar, de se entregar a esta inevitabilidade, Jesus aponta a doença para a “glória de Deus”, que por sua vez leva à glorificação do Filho. Aqui, Jesus antecipa o que realizará, seu programa. A glória de Deus e do Filho não consiste na humilhação do homem, mas em lhe comunicar a vida plena, libertando-o da morte e das trevas.

A expressão “seja glorificado” pode ser traduzida com “se manifeste a glória”. Esta expressão coloca a ressurreição de Lázaro em relação com o primeiro milagre de Jesus nas bodas de Caná (em Caná, Jesus “manifestou sua glória e seus discípulos acreditaram nele” Jo 2,11). Trata-se, portanto, do primeiro e do último dos sete sinais que João focaliza em seu evangelho. São o início e o fim da manifestação de Jesus. São símbolos da salvação trazida por Cristo: em Caná o dom de um amor novo que unirá o homem e Deus, em Betânia o triunfo sobre a morte.

5Jesus era muito amigo de Marta, de sua irmã Maria e de Lázaro.

Jesus amava as duas irmãs e Lázaro. Aqui o verbo é agapao, muito mais intenso do verbo phileo que é utilizado pelas irmãs para lhe lembrar a doença de Lázaro. É um amor forte que se realizará em devolver a Lázaro a vida.

6Quando ouviu que este estava doente, Jesus ficou ainda dois dias no lugar onde se encontrava.

Apesar de Jesus amar tanto os três irmãos de Betânia, não corre até eles. Isto parece um contrassenso. Jesus não se precipita porque sabe muito bem que teria chegado só depois da morte de Lázaro (cfr. vv. 11 e 14). Podemos entender estes dois dias de espera como a intenção de entrar no terceiro dia, aquele que em Caná (Jo 2, 1) foi o da manifestação da glória de Jesus aos discípulos e que será também o de sua ressurreição.

7Então, disse aos discípulos: 'Vamos de novo à Judéia.'

Reaparecem os discípulos, ausentes no episódio do cego de nascença. Aí estavam presentes para que Jesus explicasse o sentido do milagre que estava para realizar; aqui a oposição deles para ir até a Judeia dá ocasião a Jesus de manifestar sua decisão diante da morte de Lázaro e diante da própria morte.

“Vamos novamente até à Judeia”. Jesus assume a decisão de ir para a Judeus, quando chega o momento estabelecido pelo Pai. De fato, afastou-se da Judeia com seus discípulos, retirando-se na Transjordânia.

Mas a hora de Jesus, várias vezes citada, a partir das bodas de Caná, está para chegar.

8Os discípulos disseram-lhe: Mestre, ainda há pouco os judeus queriam apedrejar-te, e agora vais outra vez para lá?'

Os discípulos se insurgem; a citação da lapidação lembra o que aconteceu na última vez que eles esteve em Jerusalém (10, 31.39) e o tema da morte de Jesus se projeta claramente. Como nos sinóticos, também aqui, diante de Jesus que fala da própria morte, os discípulos ficam transtornados.

9Jesus respondeu: 'O dia não tem doze horas? Se alguém caminha de dia, não tropeça, porque vê a luz deste mundo. 10Mas se alguém caminha de noite, tropeça, porque lhe falta a luz'.

Jesus não repreende seus discípulos, mas lhes fala sobre o caminhar de dia ou de noite.

No episódio do cego de nascença (9,4-5) a oposição dia/noite referia-se ao tempo em que é possível trabalhar, e Jesus se referia à sua missão. Aqui estas palavras podem ser relacionadas com outras pronunciadas por Jesus em relação à luz, isto é, a Jo 12,35-36: “Por pouco tempo a luz está em meio de vós. Caminhai enquanto tendes luz, para que as trevas não vos dominem. Quem caminha nas trevas não sabe para onde vai. Enquanto tendes a luz crede na luz”. Jesus convida, pois, seus discípulos a vencer as reticências e a segui-lo, porque seu dia está para acabar.

11Depois acrescentou: 'O nosso amigo Lázaro dorme. Mas eu vou acordá-lo.' 12Os discípulos disseram: 'Senhor, se ele dorme, vai ficar bom.'

Jesus fala da morte de Lázaro como fosse um sono. Muitas vezes, morte e sono são associados, sobretudo no Novo Testamento. Jesus parece, aqui, falar de sono para esvaziar o poder da morte; de fato, é o que ele fez. Os discípulos, porém, não entendem, pensam de verdade que Lázaro esteja dormindo profundamente por causa da doença e esta não será fatal para ele.

13Jesus falava da morte de Lázaro, mas os discípulos pensaram que falasse do sono mesmo.

João nos explica melhor o que Jesus entendia e que seus discípulos tinham interpretado como fosse a fase inicial do sono.

14Então Jesus disse abertamente: 'Lázaro está morto. 15Mas por causa de vós, alegro-me por não ter estado lá, para que creiais. Mas vamos para junto dele'.

Então Jesus fala de maneira explícita e diz frase um tanto forte. Afirma estar feliz por não ter ido antes até Lázaro. Se tivesse estado com Lázaro, este não teria falecido, como falarão alguns versículos adiante também as duas irmãs. A alegria dele está no fato que a fé dos discípulos será plenamente iluminada pela volta de Lázaro à vida. O evento está tão presente em seu pensamento que concluindo o diálogo que tinha iniciado (“vamos”) Jesus não fala mais da Judeia, até daquele que, agora morto, vai reviver.

16Então Tomé, cujo nome significa Gêmeo, disse aos companheiros: 'Vamos nós também para morrermos com ele'.

A afirmação corajosa de Tomé (cujo sobrenome significa “gêmeo”) demonstra que os discípulos ainda não entenderam que a morte de Jesus não será uma resistência heroica, mas uma escolha de radical obediência ao Pai. Lembre-se que, na hora da paixão, todos os discípulos fugiram.

17Quando Jesus chegou, encontrou Lázaro sepultado havia quatro dias.

Quando Jesus chega, Lázaro já estava falecido há quatro dias. Na mentalidade semítica se pensava que a morte fosse definitiva a partir do terceiro dia. Chegando em Betânia, Cristo afasta todas as possibilidades de dúvidas ou de contestação em relação ao milagre. Antes do terceiro dia, os fariseus poderia insinuar que a de Lázaro não era uma morte verdadeira.

18Betânia ficava a uns três quilômetros de Jerusalém. 19Muitos judeus tinham vindo à casa de Marta e Maria para as consolar por causa do irmão.

Betânia localizava-se perto de Jerusalém (uns 3 km) e os judeus podiam chegar tranquilamente após uma caminhada de meia hora.

Isto prepara a presença das testemunhas do milagre que Jesus está para realizar. Muitos acreditam nele, mas outros irão relatar o acontecido às autoridades de Jerusalém. Os judeus vieram consolar Marta e Maria por causa do irmão.

20Quando Marta soube que Jesus tinha chegado, foi ao encontro dele. Maria ficou sentada em casa.

As duas irmãs que justas se dirigem ao “Senhor” e que manifestam sua dor com as mesmas palavras (vv. 21.32) se manifestam de maneira oposta diante do mistério da morte. Marta corre logo até Jesus. Maria fica em casa, “sentada”, como é típico de uma mulher que vive o luto (talvez se encontra aqui uma referência a Lc 10, 39, Maria que fica sentada aos pés de Jesus). Uma afirma a esperança na vida eterna que não acaba, enquanto a outra sente a separação que aconteceu. A estas duas atitudes contrastantes correspondem reações diferentes de Jesus, através das quais se manifesta seu pessoal envolvimento diante da morte.

21Então Marta disse a Jesus: 'Senhor, se tivesses estado aqui, meu irmão não teria morrido. 22Mas mesmo assim, eu sei que o que pedires a Deus, ele to concederá.'

Deixando os ‘amigos consoladores’, Marta vai ao encontro de Jesus fora da localidade. Soltando sua dor, por causa da perda do irmão e da ausência de Jesus, mas sem queixas, ela se dirige ao “Senhor”, cuja presença preserva da morte. E, na realidade, sem parar, acrescenta que também agora Jesus pode obter tudo de Deus, deixando assim transparecer, que se ele quiser, um milagre ainda é possível. A convicção de Marta que Deus nada recusa a Jesus, está na mesma linha da convicção do sego de nascença que volta a ver.

23Respondeu-lhe Jesus: 'Teu irmão ressuscitará.' 24Disse Marta: 'Eu sei que ele ressuscitará na ressurreição, no último dia.'

Jesus responde a Marta que seu ressuscitará (anistemi) num futuro indeterminado. Marta, sem qualquer receio, o interpreta no sentido da ressurreição dos mortos no último dia, como ensinava a fé do judaísmo ortodoxo. Não fica satisfeita, mas afirma uma certeza. Mas talvez, a maneira como responde é para pedir a Jesus esclarecer melhor sua afirmação.

25Então Jesus disse: 'Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, mesmo que morra, viverá. 26E todo aquele que vive e crê em mim, não morrerá jamais. Crês isto?'

Jesus responde com um ego eimi (eu sou) de revelação e completa esta afirmação com duas frases que explicitamente pedem a fé nele. Estas duas frases opõem “viver” e “morrer”. Na primeira frase, “morrer” tem o sentido de “ultrapassar” e “viver” tem o sentido forte da vida eterna; na segunda frase tem o sentido forte do fracasso definitivo, de ficar, para sempre, sem a vida divina; viver parece se referir à realidade de quem ainda está neste mundo e crê. O crente, portanto, está destinado à vida que não tem fim. O versículo, em seu conjunto, interesse o presente e o futuro, porque também se tratando do destino último, é claro que o crente, graças a Jesus, torna-se desde já um “vivente”, a semente da vida eterna já está nele. Jesus termina seu anúncio perguntando a Marta ne acredita “nisto”.

27Respondeu ela: 'Sim, Senhor, eu creio firmemente que tu és o Messias, o Filho de Deus, que devia vir ao mundo.'

Como resposta, Marta faz sua profissão de fé que não tem como objeto o poder escatológico de Jesus, mas sua identidade. Iniciando com um “eu creio” muito claro, como indica o prefeito do verbo Marta reconhece em seu interlocutor o Cristo, o Filho de Deus. O final “aquele que deve vir ao mundo”, também se não é um título em sentido explícito, confessa que Jesus é Aquele que, enviado pelo alto, realiza as esperanças de Israel. Em três frases, Marta passou da convicção de uma relação privilegiada de Jesus com Deus ao reconhecimento do enviado escatológico, através do qual Reino de Deus se fez próximo. Marta passou da fé judaica à fé cristã.

28Depois de ter dito isto, ela foi chamar a sua irmã, Maria, dizendo baixinho: 'O Mestre está aí e te chama'.

Como André chamou Pedro para conhecer Jesus, assim uma das irmãs chama a outra. O caminho da fé se realiza através do convite aos irmãos. Por que Marta chama Maria às escondidas? Talvez para não oficializar a chegada de Jesus diante dos Judeus? Parece mais provável que Marta queira que também Maria possa falar com ele em liberdade, sem pessoas estranhas que os escutem.

29Quando Maria ouviu isso, levantou-se depressa e foi ao encontro de Jesus. 30Jesus estava ainda fora do povoado, no mesmo lugar onde Marta se tinha encontrado com ele.

Jesus parece obrigar as duas irmãs a o seguirem. O encontro com o Senhor nos convida sempre a sair de nós mesmos, a dar também um pequeno passo na direção a Ele.

31Os judeus que estavam em casa consolando-a, quando a viram levantar-se depressa e sair, foram atrás dela, pensando que fosse ao túmulo para ali chorar.

Os judeus seguem Maria, entendendo erradamente suas intenções. Esta informação introduz narrativamente a presença de numerosas testemunhas do milagre da ressurreição de Lázaro.

32Indo para o lugar onde estava Jesus, quando o viu, caiu de joelhos diante dele e disse-lhe: 'Senhor, se tivesses estado aqui, o meu irmão não teria morrido.'

Maria se lança aos pés de Jesus, o seu “Senhor”, e expressa a lamentação com as palavras da irmã. Olhando bem, existe uma pequena diferença: “Se tu tivesses estado aqui, não me teria morto o irmão”; O significado não muda substancialmente, mas a frase assim formulada deixa transparecer um forte impacto emotivo que parece ser o traço característico da personalidade de Maria de Betânia.

Maria porém, não acrescenta mais nada, não se apela à onipotência de Jesus: para ela a fatalidade da morte se impõe e ela cai em lágrimas.

33Quando Jesus a viu chorar, e também os que estavam com ela, estremeceu interiormente, ficou profundamente comovido,

João registra duas reações emotivas de Jesus, que, porém, não são muito especificadas. O primeiro destes verbos “estremeceu” (embrimaimai) significaria ralhar ou se indignar contra alguém. Jesus não ralha contra ninguém, mas estremece em seu espírito, em si mesmo, não se sabe bem por qual motivo, talvez pela falta de fé dos presentes, ou como reação diante da dor provocado pela morte.

Perturbou-se é uma palavra que será utilizada para descrever o estado de ânimo de Jesus diante de sua hora iminente. “Minha alma está perturbada” (Jo 12, 27).

Estes dois verbos “estremecer” e “estar perturbado” nos fazem perceber que Jesus se encontra humanamente diante da morte, não só com aquela de Lázaro, mas também da sua, que está iminente. Jesus reage com uma luta interior, semelhante àquela expressada no salmo 42,6: “por que te entristeces minh’alma, porque te agitas dentro de mim” que os primeiros cristãos atribuíram logo a Jesus.

34e perguntou: 'Onde o colocastes?' Responderam: 'Vem ver, Senhor.'

À pergunta de Jesus sobre onde se encontra o sepulcro de Lázaro, responde com uma frase elaborada com o mesmo esquema do convite feito por Filipe a Natanael “Vem e vê” (Jo 1, 46). Trata-se de dois verbos que fazem alusão a um conhecimento direto e pessoal, que se fundamenta sobre a experiência. Pela primeira vez, Jesus enfrenta a morte que toca de perto sua sensibilidade humana, uma morte que lhe tira o amigo e fere seus afetos humanos; por isso, chegado diante do sepulcro, se comove profundamente. Isto leva implicitamente ao conhecimento da morte como experiência subjetiva, que Cristo terá que atravessar como epílogo de seu ministério terreno. O que Jesus vê agora em Lázaro, sabe que Ele terá que experimentar; e sabe que sua morte será igualmente, de maneira semelhante a esta que agora atinge Lázaro, uma dilaceração nos afetos daqueles que o amam.

35E Jesus chorou. 36Então os judeus disseram: 'Vede como ele o amava!' 37Alguns deles, porém, diziam: 'Este, que abriu os olhos ao cego, não podia também ter feito com que Lázaro não morresse?'

Ao redor d’Ele a multidão se divide: alguns veem as lágrimas de Cristo, seu amor por Lázaro; outros manifestam seu ceticismo pelo fato d’Ele não exerceu seu poder para curar o amigo, assim como curou o cego de nascença, que afirma era um desconhecido. Lembrar o milagre do cego não é fato fortuito. Vida e luz são colocadas em relação como no Prólogo de João (1,4).

38De novo, Jesus ficou interiormente comovido. Chegou ao túmulo. Era uma caverna, fechada com uma pedra.

Jesus fica mais uma vez comovido interiormente. Se sua anterior emoção era motivada pelo choque interior com a morte, o questionamento dos judeus assume um sentido que justifica outro momento de comoção. Sim, Jesus poderia ter evitado que Lázaro morresse! Mas Jesus não pode evitar a própria morte, ele terá que enfrentar o poder inimigo que destrói a obra de Deus e que o Filho do homem deve vencer.

Na história da ressurreição de Lázaro, o evangelista antecipa, projetando, o que espera o próprio Jesus. Lembram isso dois pequenos particulares: a pedra diante da entrada do túmulo, os panos o sudário. (Jo 20, 1.5.7).

39Disse Jesus: 'Tirai a pedra'! Marta, a irmã do morto, interveio: 'Senhor, já cheira mal. Está morto há quatro dias.'

O túmulo de Lázaro é um gruta fechada com uma pedra. Jesus manda tirar a pedra, as a ordem é atrasada porque Marta espantada se opõe. Esta reação contrasta com a luminosa certeza que tinha demonstrado anteriormente, e Jesus se apresenta ainda mais sozinho diante da morte. No entanto, o objetivo imediato da intervenção de Marta é o de destacar os quatro dias e a corrupção do cadáver. A pedra é também símbolo do marco definitivo da morte. Tirar a pedra é reabrir a comunicação entre vivos e mortos. Por obre de Jesus, as portas do além se abrem e os justos saem para a luz do conhecimento do Pai.

40Jesus lhe respondeu: 'Não te disse que, se creres, verás a glória de Deus?'

Jesus lembra a Marta a profissão de fé que tinha manifestado um pouco antes. Ao mesmo tempo, lembra ao leitor o que Jesus tinha proclamado no início deste texto evangélico (11,4). Mais uma vez, a glória de Deus expressa o sentido último que inclui os vários significados oferecidos por Jesus através de suas obras. O pensamento leva-nos a Deus, origem de toda vida, cuja glória aqui, implicitamente, é a nova criação que ele suscita apesar da decomposição produzida pela morte. A condição para ver a glória de Deus é a fé.

41Tiraram então a pedra. Jesus levantou os olhos para o alto e disse: 'Pai, eu te dou graças porque me ouviste.

Agora Jesus levanta os olhos ao alto. Percebe-se aqui uma nova superação de fronteira: da terra ao céu. Jesus está em contínua comunicação com o seu Pai e os presentes poderão reconhece-lo. A oração que Jesus faz não é uma pergunta, mas um agradecimento. Jesus sabe que o Pai já o atendeu (akouein). O verbo grego é o mesmo que indica a escuta por Jesus das obras do Pai. Jesus agradece por ter sido atendido, mas o que pediu? Além do milagre de Lázaro, ele pediu a força para enfrentar a hora de sua morte.

42Eu sei que sempre me escutas. Mas digo isto por causa do povo que me rodeia, para que creia que tu me enviaste.'

A oração foi feita para que a multidão acredite “que tu me enviaste”. Isto se relaciona com o início do texto, v. 4, que fala da glorificação do Filho. A interrupção provocada por Maria e a oração de Jesus diante do túmulo aberto atrasam ainda um pouco o milagre, mas explicitam o sentido.

43Tendo dito isso, exclamou com voz forte: 'Lázaro, vem para fora!' 44O morto saiu, atado de mãos e pés com os lençóis mortuários e o rosto coberto com um pano. Então Jesus lhes disse: 'Desatai-o e deixai-o caminhar!'

O milagre propriamente dito é apresentado rapidamente em dois versículos. Jesus, o Filho do homem cuja voz ecoa entre os que se encontram nos túmulos (Jo 5, 28), grita com voz forte chamado Lázaro pelo nome. Jesus é o servo anunciado por Isaías que liberta os presos das trevas (Is 42,7).

A ordem dada chega, primeiramente, a Lázaro para se apresentar diante de Jesus. Para fazer isto, Lázaro deve deixar o lugar onde se encontra, sair, deixar o lugar fechado onde se encontra. O morto sai, ainda amarrados nos panos e o rosto coberto por um sudário; é uma espécie de segundo milagre o fato que ele possa sair do túmulo assim. Aqui encontra-se uma alusão à ressurreição de Jesus: como se entregou por si mesmo, Jesus deixará os panos dobrados e o sudário também dobrado em lugar separado (Jo 20,7). Além disso, os panos que Lázaro tem ainda sobre si simbolizam que ele vota durante certo tempo sobre a terra. Jesus, no entanto, os abandona definitivamente. Por fim, Jesus manda desamarrar Lázaro e deixa-lo livre. Jesus fica de lado e deixa que o seu amigo siga o seu caminho.

45Então, muitos dos judeus que tinham ido à casa de Maria e viram o que Jesus fizera, creram nele.

A narração não fala qual foi a reação de Lázaro, nem a das irmãs. O protagonista é Jesus que se dirige para a sua morte e ressurreição. Entre as testemunhas do milagre são indicados só os judeus, dos quais dependerá a continuação da narração.

Para a reflexão e a atualização:

● Minha atitude diante da morte e da presença de Deus é como a de Marta ou como a de Maria?

● Que sentimentos desperta em mim o pensamento da morte de uma pessoa querida? E o da minha morte?

● De como se entende se uma pessoa acredita ou não na ressurreição, presente de Deus?

● A Campanha da Fraternidade me pede para ser “bom samaritano”. Sou portador e vida, de ressurreição e de alegria ou vou semeando a morte, o desespero e o fim de tudo?

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